• Adriana Tanese Nogueira

EM TEUS OLHOS AMARELOS ME VI: VISÕES PÓS-VACINA COVID

Dia 14 de abril, tomei minha primeira dose da Pfizer, o que aconteceu às 2:27 da tarde. Às 2:52 estava sendo levada pelo carro dos bombeiros com sirene e tudo. já havia desmaiado duas vezes, passado por eletrocardiograma, estava com soro na veia, oxigênio nas narinas, pressão 48x90.


A injeção no braço foi percebida pelo meu corpo como um soco interno, mas durou poucos segundos. Veio uma sensação de garganta enrijecida, depois o enjoo e, finalmente, uma avassaladora tontura. Desmaie, voltei. Achei que estivesse sonhando. Desmaie de novo, deviam estar me chamando porque me percebi tentando enxergar as formas na minha frente: havia luz demais e não distinguia o real do “sonho”. Levaram-me para o hospital porque, como disse o bombeiro (que eu tinha certeza já conhecia de algum lugar e ele: “Não, querida, não nos conhecemos.”), eu precisava ficar mais “coerente”. Mesmo naquele estado, tive vontade de rir (se tivesse tido forças) – logo eu, “mais coerente”!


Após uma longa tarde na emergência, voltei para casa e comecei o processamento interno da experiência. À noite, estava receosa em pegar no sono porque parecia que ia desmaiar de novo e... sumir. Afinal, a morte é basicamente o apagamento da consciência.


No dia seguinte, mais lúcida, vieram reflexões a partir da vivência do corpo, pois ele fala para quem sabe ouvi-lo. Percebi uma invasão poderosa no meu sistema, maior do que qualquer vacina antes tomada, e era uma invasão que vinha direto do mundo animal selvagem (ou seja, em resposta a ele). Senti que devia me fazer dócil e deixar que o processo ocorresse dentro de mim.


Dois dias depois, em seguida aos 30 minutos de bem-estar do dia (e logo me senti exausta de novo), durante minha mediação matinal, tive a visão de um animal escuro, sinuoso e flexível como um felino, se movendo na floresta enoitada e fechada. Mas via também longos membros como de chimpanzé ao andar. Senti-me na floresta, não era ameaçadora, era só uma floresta virgem. E parece que uma mensagem emergiu: o vírus vinha de lá – no sentido de “mandado”.


A visão dos animais era aguda, os olhos destes carregados de significados que falavam de raiva. Raiva penosa, densa, intensa, resultado de abuso sobre abuso, atrocidade sobre atrocidade cometidas pelos humanos. Imensa dor que provocamos como retardados emocionais e mentais, egoístas e cegos apesar dos esplendores de nossa civilização.

Do escuro daquela floresta virgem, vinha um grito de vingança e de alerta. Através deles, a inteira natureza se expressa. Não é uma guerra. Não há “nós” e um “eles”. Só há um nós. Senti culpa. Senti vontade de pedir perdão. Mas seria em vão. Somos Um. O planeta é um ser, nós somos os guardiões irresponsáveis de um tesouro que demorou milhões de anos para chegar até nós. Em nosso corpo circulam o mesmo hidrogênio que existia no início do universo...


Os olhos amarelos da pantera me fitaram. Séria e verdadeira como só os animais sabem ser, de uma verdade tão profunda e tão longínqua da enorme maioria do mundo humano. Humanidade perdida em seus egos míopes que, desconectados do todo, não têm como encontrar o caminho. Um todo que só podem encontrar dentro de si, naquelas mesmas entranhas que gritam de dor assim como os animais que torturamos, assim como a natureza que oprimimos e sujamos diariamente.


Esses animais vão ficar comigo. Continuarei a fazer a minha parte: promover a evolução de consciência dos humanos porque esta é a única saída para a crise civilizacional na qual nos encontramos. Estamos todos juntos e sofreremos juntos as consequências da nossa mediocridade ou da nossa capacidade de superação e de grandeza.


Adriana Tanese Nogueira - Psicanalista, Filósofa, Life Coach, terapeuta transpessoal, terapeuta de Florais de Bach, autora. www.adrianatanesenogueira.org. Boca Raton, FL-USA. + 1-561-3055321




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