• Adriana Tanese Nogueira

HOMENS COM COMPLEXO MATERNO POSITIVO

Atualizado: Ago 26

Ele é “um homem feminista”, ou então: “ele é um homem que ama tanto sua esposa!” Um homem que lhe dá suporte e a defende dos outros. A protege. “Ele faz tudo por ela!” Um homem diferente, não machista, gentil, compreensivo e tolerante.

Será? Sim, ele é tudo isso.

Mas ela quem é?

Vamos ver como começa essa história.

Um dia ele se apaixona por uma mulher que lhe lembra de alguma forma sua mãe. Pode ser um traço físico ou uma tendência, um desejo, um traço da personalidade... Não precisa ser nada de muito específico, basta que a mulher tenha algum traço maternal e lhe lembre sua mãe.

Por que? Porque ele vem de uma história de vida onde a figura materna teve um papel predominante sobre aquela paterna, cheia de falhas e ausências. A mãe é sua heroína, ela é boa, cuidou dele. Ele a admira e quer retribuir. Está enfeitiçado pela magnificência materna. Sua esposa, portanto, é a segunda mulher mais importante de sua vida. Como a mãe é mulher. Logo, mulher é “coisa boa”. Assim como uma foi sua “salvadora”, a outra é sua “companheira”. Ele se sente devedor à mãe, logo à mulher. Agradecido, abre-lhes os braços.

E uma “sortuda” receberá os louros de algo que não foi ela que ganhou...

Mas até aqui tudo bem. Poderíamos pensar: que bom que há homens assim! Num mundo machista e patriarcal, homens que valorizam a mulher são preciosos.

Acontece que se olharmos mais de perto, observaremos algumas estranhezas: o tal homem é capaz de avaliar as situações da vida, mas não aquelas que envolvem sua esposa. Sabe identificar erros, enganos e malandragens nos vizinhos, amigos e demais parentes, mas não usa os mesmos critérios para analisar os comportamentos da esposa.

Há um ponto cego em sua visão; há algo que seus olhos não veem e insistem em não ver. Ele racionaliza o que é muito evidente e se escancara na frente dele e justifica situações que não deixaria passar se se tratasse de outra pessoa. Os defeitos que enxerga na esposa “não têm efeito”, não provocam nenhuma reação. Sua tolerância, aparentemente, não tem limites.

Olhando mais de perto ainda, e por trás das aparências, percebemos que sua mulher é sutilmente manipuladora. Seus sorrisos ou falas são produzidos, até mesmo sem ela se dar conta (o que é mais comum do que se imagina, com a finalidade de mantê-la na posição que ocupa. Ela sabe que não merece o que tem. Receber contínuas privilégios sem merecimento real deixa qualquer pessoa insegura porque uma hora terá que naturalmente demonstrar que é digna deles. Daí o papel crucial da manipulação que deve ser tão sutil quanto inteligente é seu marido.

Este é o homem com complexo materno positivo: ele terá uma confiança cega na mulher sobre a qual projetou seu modelo feminino. Por “confiança cega” não quero dizer que ele não irá perceber certas coisas ou que irá gostar de tudo o que ela faz. Pode até ser isso em alguns casos, há homens e homens. Mas o que acontece mais frequentemente é uma percepção camuflada de alguns detalhes fatídicos que se encarados de forma honesta e lúcida mudariam definitivamente sua postura para com a esposa. Ou seja, este tipo de homem sempre encontra um jeito de salvar sua esposa das verdades que iriam desmascará-la ou colocá-la em cheque.

Enfeitiçado pelo complexo positivo da mãe, ele se confunde e troca a mãe maravilhosa pela esposa que chegue já cheia de crédito não conquistado. Assim fazendo, ele a mantém no controle das artimanhas afetivas e a si mesmo no limbo de sua pseudo-consciência.

E todos viveram felizes para sempre...


Adriana Tanese Nogueira - Psicanalista, Filósofa, Life Coach, terapeuta transpessoal, terapeuta de Florais de Bach, autora. www.adrianatanesenogueira.org e www.aellaedu.com - Boca Raton, FL-USA. + 1-561-3055321

Photo by James Barr on Unsplash


mãe e filho. freud

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