• Adriana Tanese Nogueira

MASCULINO E FEMININO DENTRO DE NÓS

Você já parou para pensar por que já observou tantas vezes que tal pessoa se casou com a mãe ou com o pai? Se olhar de perto vai perceber que os traços mais marcantes de um, estão no outro. Parece que tentou tanto fazer diferente e eis que está numa situação tão parecida quanta aquela daquela queria escapar. Se isso ainda não ficou evidente para você, aguarde... E preste atenção.


A questão do masculino e do feminino é uma daquelas que apaixonam porque todos queremos estar apaixonados, mas não queremos os efeitos colaterais ou simplesmente os desapontamentos. Entretanto, olhando para esquerda e para direita, encontramos em todo o lado a demonstração que não há nada mais complicado do que uma relação amorosa.


O famoso “amor à primeira vista” é, segundo C. G. Jung, o resultado de uma projeção. Não muito romântico, não é?


As pessoas estariam vendo na outra pessoa seu próprio componente inconsciente do outro sexo, que é o Animus (o componente masculino das mulheres) ou a Anima (o componente feminino dos homens) e aqui estaria a base de sentido da atração. Ou seja, será que nos apaixonamos por nós mesmos?


Vamos entender melhor. Jung descobriu, após Freud ter provado que a identidade do eu não abarca toda a psique, mas que esta é bem maior e mais complexa, bom Jung descobriu essa área da psique ocupada por uma figura interessante e misteriosa que apresenta o complementar sexual da consciência. Numa consciência feminina chama-se Animus. Numa consciência masculina chama-se Anima.


Esta personagem da psique é importante por pelo menos dois motivos: porque nos influencia na escolha do tipo de indivíduo do sexo oposto para o qual vamos nos sentir atraídos “instintivamente“ e porque define o modelo de relação que teremos com o mundo dos afetos (para os homens) e com o mundo das ideias (para as mulheres).


Anima e Animus são arquétipos, abarcando um manancial rico e polivante de sentidos e imagens. Na psicologia junguiana a psique funciona por polaridades opostas. A mais conhecida de todos é a masculina-feminina. Todo ser humano expressa um desses polos de forma dominante deixando no pano de fundo a polaridade oposta.


Na vida individual, penetram o campo psíquico na singela forma de nossos pais. O menino tenderá a se desenvolver projetando-se na figura do pai, enquanto a mãe ficará vinculada à figura interna da Anima. A personalidade da mãe real marcará as principais características da Anima no que há de positivo e no que há de negativo e a partir desse viés o homem irá se relacionar com seus próprios sentimentos e com as mulheres de sua vida (para a nossas alegria ou tristeza!).


No caso da mulher, o Animus atua de forma parecida. O pai representa a visão de mundo, as ideias e a forma de pensar que, conscientemente ou não, ela tem a respeito da vida. Como, infelizmente, são poucos os pensadores e filósofos nas famílias, essa visão de mundo tenderá a ser padronizada, rígida, moralista e etc. As filhas desses homens terão uma forma de pensar baseada na repetição de lugares comuns - que sejam lugares comuns de seu bairro ou classe social ou raça, sempre se trata de banais lugares comuns.


Sendo o Animus o portal do mundo interior, se ele for tosco e obtuso inviabiliza qualquer realização pessoal. Além disso, solapa a autoconfiança da mulher naquilo que sente: ela sente a coisa grande ou bonita, mas na hora de pensá-la parece tudo banal e sem graça... A autoestima da mulher estará vinculada à aprovação por parte desse modelo interior representado pela figura do pai que se não for trabalhado e transformado lhe impede o desabrochar como pensadora, criadora, transformadora de mundos.


Adriana Tanese Nogueira - Psicanalista, Filósofa, Life Coach, terapeuta transpessoal, terapeuta de Florais de Bach, autora. www.adrianatanesenogueira.org. Boca Raton, FL-USA. + 1-561-3055321

Photo by Austrian National Library on Unsplash



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