• Adriana Tanese Nogueira

O NOSSO PODER DE EDUCAR E TRANSFORMAR

Você sabe que tudo o que faz tem um efeito sobre os outros? Mesmo os outros que você não conhece, mesmo sem intenção. Cada um de nós é um polo educador, que o saiba ou não. Nos influenciamos reciprocamente, tendemos a nos imitar e temos instintos de grupo que nos levam a seguir o que a maioria faz. Sem pensar, sem saber. Só acontece.


Tomar consciência desse aspecto da natureza humana, nos leva a identificar a nossa responsabilidade: nossos comportamentos vão servir de referência para outras pessoas. Não precisamos ser influencers da mídia para ter influência, nós já a temos, todos os dias com esposos, filhos, amigos, parentes, vizinhos, colegas e desconhecidos na rua.


Se nosso comportamento alcança os outros, se nossas escolhas contribuem para a direção geral, então todos nós somos potencialmente educadores, aliás, o somos mesmo quando não sabemos ou queremos ser porque estamos fomentando uma ideia, um valor, uma crença, uma visão de vida a partir das nossas escolhas e comportamentos.

Pensamos a educação como um ajudar a fazer crescer e amadurecer outra pessoa, tanto do ponto de vista moral como intelectual. Nossas atitudes no mundo, na família, entre os amigos certamente podem contribuir para esse processo, mesmo quando em escala pequena que a você pode parecer minúscula – mas não subestime o poder que uma pessoa só tem. Quando você age de uma forma diferente do grupo ou do esperado, consciente e intencionalmente para ser fiel às tuas crenças, você está exercendo um poder de transformação que, na medida em que tuas crenças promoveram o crescimento e o amadurecimento em você, assim irão atuar nos outros.


Educar corresponde também a desenvolver e refinar certas faculdades físicas ou espirituais. Vemos isso acontecer quando seus comportamentos e falas vão ao encontro daquelas tendências já presentes nos outros que, por falta de confirmação, foram silenciadas e até escondidas. Quantas vezes, já não me deparei com pessoas surpresas e aliviadas por poder ouvir o que pensavam no segredo de seus corações!


Educar inclui um tipo de treino, de repetição porque educar é criar um novo caminho que precisa ser trilhado várias vezes até se tornar liso, fácil, “normal”. Educar é criar novos mundos.


Enfim, o termo vem do latim “educere”, que significa trazer para fora: o quê? Isso depende de você. Podemos educar uma criança a ser violenta instigando nela violência e expondo-a repetidamente à violência ou podemos educá-la à responsabilidade e à ética.


Educar, portanto, não se refere somente a coisas boas, aa estudo e ao desenvolvimento intelectual e moral: educamos todas as vezes em que reforçamos ou inauguramos comportamentos e ideias através de nossas escolhas. Já percebeu a tentação de jogar lixo no chão de numa rua imunda? Não quer dizer que você o faça, mas percebeu a diferença de andar numa rua limpa onde essa tentação não existe ou é percebida com vergonha por você mesmo? Este é um exemplo de como o comportamento dos outros nos influencia. Nós tendemos a seguir o grupo, faz parte da natureza humana.


Mas tem outra parte da natureza humana, tão forte quanto esta primeira. Nós também temos uma forte inclinação a querer sermos donos da nossa cabeça, protagonistas indiscutíveis de nossas vidas, queremos ser um “Eu”, único e original. Quando o grupo dá mal exemplo ou a confusão geral é grande, é tempo de fazer esse “Eu” funcionar com juízo. Este é o “poder pessoal”. Requer consciência, porém. A consciência do que se faz, dos porquês e dos para quês. Ou seja, um programa pedagógico que trace as linhas de desenvolvimento e expansão intelectual e moral. Qual é o seu?



Adriana Tanese Nogueira - Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, intérprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto (www.asmigasdoparto.org), do AELLA - Instituto Internacional de Educação Psicológica e Espiritual (www.aellaedu.com). Office: Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321

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