• Adriana Tanese Nogueira

O QUE FAZER QUANDO ME PERCEBO MÃE DO MEU MARIDO?

A mãe basicamente é aquela pessoa que nutre e atende.


O que ela faz?


No plano material, ela serve, é aquela que prepara o prato e o entrega na cama, por assim dizer. Tem uma variação aqui, como para tudo, de um mínimo a um máximo, mas no geral, a mãe é a cuidadora de todos: saúde, comida, casa e roupa lavada.


No plano simbólico, a mãe é aquela que, como reconheceu a psicanalista italiana Silvia Montefoschi, exerce o papel de mediadora dos conflitos. Mãe é aquela que passa a mão na tua cabeça, que diz que vai ficar tudo bem, que te explica por que você teve o pesadelo, que te trata quando você está com dor de barriga. Quando bebê te mantém em vida e cuida de você; quando grande, te dá suporte emocional, encorajamento, apoio.


Este é o papel do Ser Mãe. Algo relacionado ao Arquétipo da Mãe. A mulher, como sujeito, não pode ser incluída nesse quadro, pois ela aqui é A Cuidadora. Quando este papel te tomou por demais, é hora de recuar. E para recuar, o único jeito de recuar e equilibrar a situação, é começar a pôr você na balança, o que não significa tirar a hegemonia do outro. Quando a gente ama alguém, eu pelo menos, gosto de cuidar da pessoa, inclusive gosto de servir a pessoa também. O problema é quando vira obrigação, quando entra no automático. O enorme problema é quando a mulher se identifica e é identificada com este estereótipo porque aí ela acha que só pode amar via estereótipo e o outro confirma... Quanto mais uma relação estiver estereotipada mais será sufocante.


Assim, quando você se sentir mãe de seu marido, precisará quebrar o estereótipo. Isso significa: não atender às expectativas. Para realizar esta transição de forma natural (não sem atritos, porém) basta você começar, por assim dizer, a ser mãe de você mesma. Nesse movimento, você se colocar na balança, você e suas necessidades, tempos, desejos.

E nesse processo você deve aprender a verbalizar o que sente e o que precisa. Ao tomar consciência do que ocorre dentro de nós (porque finalmente prestamos atenção!), podemos transmiti-lo ao outro, torná-lo partícipe dessa nova nós mesma que está emergindo.


Nós mulheres tendemos a esperar que os homens nos leiam nos pensamentos, coisa que raramente eles sabem fazer ou sequer imaginam que é o esperado deles! Ao verbalizar o que sentimos e desejamos, nós assumimos nosso lugar de sujeitos, assumimos a responsabilidade sobre nós mesmas e aí podemos estabelecer relações mais maduras com os homens.


A depressão que chega aos cinquenta é o resultado de uma vida inteira negada. Uma hora chega a conta e pagamos o preço do nosso calar, da nossa condição de submissão. Até que há os filhos para cuidar, é fácil a gente se distrair. A gente tem coisas para fazer. Mas uma hora os filhos crescem, e, conforme se tornarem mais e mais independentes, a gente terá cada vez menos trabalho manual para fazer. Aos poucos eles vão começando a ter a vida deles e aquele afeto, aquele nutrimento que a gente recebia na relação com eles vai diminuindo. Um dia a gente começa a sentir o vazio. Um vazio interior que é existencial e assustador. Então é melhor começar já a cuidar de si, inserir na própria vida as necessidades que nos fazem realmente felizes e descobrir novas formas de atuar no relacionamento para que seja mais justo e satisfatório.


Adriana Tanese Nogueira - Psicanalista, Filósofa, Life Coach, terapeuta transpessoal, terapeuta de Florais de Bach, autora. www.adrianatanesenogueira.org. Boca Raton, FL-USA. + 1-561-3055321

*Extraído do meu livro "O grande amor da minha vida. Diálogos revolucionários com uma esposa".

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