• Adriana Tanese Nogueira

POR QUE AS PESSOAS SÃO TÃO COMPLICADAS?

Quem já não se perguntou isso? Cansados e confusos diante da dificuldade de lidar com alguém que amamos ou com quem temos que nos relacionar de qualquer maneira, concluímos que as pessoas são complicadas demais. Gostaríamos ter um manual de instruções para saber o que fazer, mas, claro, ele não existe. Existem, porém, algumas considerações a serem feitas.


A primeira consideração é que enxergamos o que nossos olhos permitem ver. Assim, o que for maior do que nossa visão permitir “não existe” e, o que for constituído por mais elementos de quantos podemos administrar conceptualmente, será “complicado”. Diante de uma pessoa (que consideramos) “complicada” temos duas opções: ampliar nossa compreensão da realidade ou ficaram-nos na nossa “simplicidade (que consideramos) correta”.

Geralmente, é quando se está tomando consciência de que as coisas são maiores e mais profundas do que se imaginava que se pensa em termos de “as pessoas são complicadas”. O que acontece que é está havendo um despertar para a complexidade humana. Bem-vindos à realidade! Somos seres complexos. A simplicidade é um estado que pertence às crianças (pequenas e bem criadas, hoje nem isso podemos generalizar) e aos sábios (outra espécie rara). No começo e no fim do novelo, o fio é solto e linear. No meio é uma “complicação” só. A simplicidade do início é a da inocência, também chamada de ignorância e inexperiência. Aquela do fim é a sabedoria que conheceu, viu e transcendeu. O meio é onde ocorre a passagem de um estado para o outro. A cada bifurcação do caminho, sem mapa na mão, é preciso tomar uma decisão. Muitas vezes, esta não está fincada no sentimento profundo da própria identidade, mas depende do que se pensa no momento, dos amigos que se tem e, para alguns, de por quantas cerveja ou bailes passaram. Cada escolha implica em excluir alguma coisa, e nem sempre o que fica para trás ou o que é posto de lado é o pior. Quando a estrada se faz difícil, muitas pessoas preferem apressar o passo e aumentar o som para não ouvir os incômodos de sua alma. Desta forma, o novelo se faz mais embaraçado, tensões internas puxam cada uma de um lado e apertam os nós. Olhando para a ponta do iceberg, como se fosse uma foto de revista, a pessoa parece bonita, bacana, simpática. Mas estamos vendo somente uma fachada. Ela pode ser uma fachada verdadeira, totalmente pura, mas constitui uma parte pequenina de um todo, cuja corpo maior está oculto. Toda relação começa aos poucos, um passo de cada vez. É no tempo e com a convivência que se conhece de fato uma pessoa. A cada estágio se penetra mais fundo em sua intimidade, experimentando novas situações e encontrando complicações ou complexidade, conforme o estofo da pessoa. Quanto mais a pessoa se conhece, com amor e consciência, mais sua complexidade é um fator de encantamento. Uma pessoa complexa e dona de si mesma é como uma aventura sem fim, para quem gosta de descobertas e novidades. Por outro lado, com uma pessoa não cultivada é simplesmente complicada e difícil de se lidar. Mas, para a pessoa de mente simplória e, portanto, indiferenciada, toda complexidade não passa de “complicação”. Para estas, a vida e as relações são feitas para caberem em gibis: imagens bidimensionais e simplificadas do real.



Adriana Tanese Nogueira - Psicanalista, Filósofa, Life Coach, terapeuta transpessoal, terapeuta de Florais de Bach, autora. www.adrianatanesenogueira.org. Boca Raton, FL-USA. + 1-561-3055321

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