• Adriana Tanese Nogueira

SOMOS CONSCIÊNCIA: MAS E O INCONSCIENTE?

“A existência, ao lado da consciência, de um segundo sistema psíquico (...) tem um significado absolutamente revolucionário, porque poderia alterar radicalmente a nossa imagem do mundo.” (Carl Gustav Jung)


Muito usado, tanto como adjetivo ou substantivo, e substituído erroneamente por “subconsciente” o termo “inconsciente” convida a uma reflexão. Há uma falta de entendimento na cultura popular sobre o que ele é e a psicologia convencional (de matriz americana) o desconsidera, não sabendo como trabalhar com ele. De fato, é um conceito que foge aos métodos tradicionais de demonstração científica e é uma realidade que exige um profundo e longo treino vivencial, além de conhecimentos em diversas áreas das ciências humanas, para ser reconhecida e assimilada. Para não falar que a relação com o inconsciente só pode acontecer na base da honestidade interior. O inconsciente não é espelho, é interlocutor.


Uma definição simples de inconsciente é aquela segundo a qual o termo indica todas as atividades psíquicas que ocorrem fora do âmbito da consciência ou, como Jung escreveu, “O inconsciente deve ser concebido como a totalidade de todos aqueles fenômenos psíquicos que não gozam da qualidade da consciência.” Em termos mais específicos, o inconsciente está associado a pensamentos, emoções, instintos, crenças, modelos comportamentais, medos, traumas, visão de vida que estão na base do agir humano, mas dos quais a pessoa não tem consciência. É possível que outras pessoas percebam alguns desses conteúdos inconscientes, mas a pessoa em questão não. Achando que age por vontade própria, ela está agindo segundo determinações que não estão sob seu controle. E assim provamos o que Freud descobriu mais de cem anos atrás: o ego não é dono em casa própria. Achar que estamos no controle é ilusão conveniente.


É evidente que o fato de existir o inconsciente modifica a visão a respeito de nós mesmos e da vida. Nem sempre heróis, nem tanto certos, não muito sabidos... Mas somos também desafiados a nos tornar mais responsáveis e éticos, porque saber que há um inconsciente que interfere nas entrelinhas da racionalidade do ego, que se infiltra em nossas decisões e que que nos mostra outros lados de nós, nos obriga a ter mais consciência de nós mesmos e mais humildade.


Aqueles que buscam a espiritualidade, o que quer que isso signifique para eles, parecem sentir-se desconfortáveis com o conceito de inconsciente e tendem a desconsiderá-lo apressadamente, uma vez que este pode desobedecer às regras da “mente religiosa” cheia de certezas. O inconsciente não contém somente luz e pureza celestiais, mas também material reprimido, conteúdos negados dos quais se tem vergonha. Entretanto, como Jung tantas vezes afirmou, é somente pelo encontro com a sombra que é possível encontrar a luz verdadeira. O caminho da iluminação junguiana, por assim dizer, não é uma epifania repentina, mas um processo longo e desafiador que envolve todos os aspectos da vida humana.


Assim, somente uma consciência aberta e sem preconceitos tem a chance de evoluir e se expandir. Consciências identificadas com crenças e conhecimentos dados deixam de ser consciências para se tornarem mentalidades fechadas que exigem obediência e submissão no lugar de crescimento. É importante buscar um modo de considerar as coisas que nos permita avançar no conhecimento e na compreensão, tanto

da nossa natureza humana como da essência individual. Daí a importância de olhar para o inconsciente como uma área de nós que foge ao controle, mas que nos pertence e integrando a qual nós crescemos e nos desenvolvemos. Porque é isso que acontece ao lidar com o inconsciente: crescimento e desenvolvimento.


Existem dois tipos de luz - a luz que ilumina e o fulgor que seduz e obscurece.

(James Thurber)



Adriana Tanese Nogueira - Psicanalista, Filósofa, Life Coach, terapeuta transpessoal, Florais de Bach terapeuta, autora. www.adrianatanesenogueira.org. Boca Raton, FL-USA. + 1-561-3055321

Photo by Carter Baran on Unsplash

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