• Adriana Tanese Nogueira

TODOS NASCEMOS PARA SER HERÓIS

A mitologia, assim como a grande maioria dos filmes americanos, povo que abraçou essa simbologia, está repleta de heróis e agora heroínas. São todos poderosos, tendo capacidades supra-humanas e habilidades adquiridas muitas vezes por situações inesperadas da vida. Diante de suas vicissitudes, esses heróis pegaram o caminho da grandeza no lugar daquele do vitimismo.


Existe um padrão que se repete em muitos mitos ao redor do planeta. Conforme escreve Lutz Muller em seu livro sobre o tema, “O herói tem quase sempre paz divinos ou nobres, sendo ao mesmo tempo filho de seres humanos normais. A gestação, a gravidez, o nascimento e a primeira infância suportam uma grande carga. Algumas vezes os pais são estéreis, outras vezes o herói é rejeitado desde o princípio; ou o seu nascimento tem de se realizar em um local secreto, ou ele deve ser morto e exposto. Sendo de origem nobre e divina experimenta o sofrimento da criança abandonada, desamparada, cuja verdadeira natureza a princípio não é reconhecida. Ele é ao mesmo tempo poderoso e carente.


Educado por pais adotivos ou por animais, em sua juventude ele logo revela talentos, habilidades e poderes especiais. Excelentes mestres ajudam-no a aperfeiçoar suas habilidades e conhecimentos. Adquire suas armas pessoais, quase sempre de procedência e qualidade especial. Muitas vezes encontra também um animal fiel companheiro – em geral, cavalo, cão ou pássaro – que se distingue pela inteligência, segurança instintiva e força.


Recebe então uma missão ou um chamado para partir em viagem. Depois das adversidades iniciais, que se revela no próprio medo, desânimo ou através dos avisos de outras pessoas, põe-se a caminho. Até que a verdadeira luta acontece, ele tem de passar por uma série de pequenas aventuras.


A verdadeira luta do herói leva ou a penetrar em esferas desconhecidas estranhas. Pode tratar-se de um lugar secreto de difícil acesso, onde atuam poderes sinistros e ameaçadores. Depois de uma luta difícil, quase fatal, o herói consegue superar o poder inimigo. Em seguida, ganha um tesouro (ouro, reino, conhecimentos, fama) e uma jovem virgem, com a qual se unirá e terá um filho.”


A ocorrência universal e a semelhança dos motivos míticos do herói nos levam a entender que a figura do herói substitui o ser humano exemplar, aquele que se esforça por uma renovação social, pelo domínio criativo da vida e pela evolução da consciência. O herói é aquele que consegue se manter fiel a si mesmo, numa procura ininterrupta, na qual não existe nenhuma meta definitiva, pois manter-se progredindo apesar das adversidades é heroico. E esse progredir não é a esmo ou para alcançar interesses meramente pessoais. A jornada do herói é aquela de alguém que permanece fiel a si próprio apesar das desventuras e que, ao mesmo tempo, busca o bem coletivo, apesar de que, ao trazer contribuições novas para os demais, ele encontrará a desconfiança e a rejeição social.


Todo herói possui mestres e mentores. Graças ao autoconhecimento que lhe permite disciplina, mente clara, estratégia e criatividade, ele vence os obstáculos ainda que pareçam impossíveis de serem superados.


No seu dia a dia, a jornada do herói se apresenta como feita de objetivos parciais que oferecem orientação somente para um determinado período ou para uma determinada fase da vida. Se quisermos continuar vivos na alma seguindo o fluxo da vida, devemos nos encaminhar, mesmo contra muitas resistências interiores e exteriores, sempre para frente e travar sempre novas “lutas com o dragão “


Todo ato criativo, ainda que mínimo, através do qual modificamos a nós mesmos ou ao nosso meio ambiente, corresponde a um pequeno ato heroico que, cumulativamente, constrói uma vida digna de ser vivida.



Adriana Tanese Nogueira - Psicanalista, Filósofa, Life Coach, terapeuta transpessoal, terapeuta de Florais de Bach, autora. www.adrianatanesenogueira.org e www.aellaedu.com - Boca Raton, FL-USA. + 1-561-3055321



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